Na semana passada, o jornal Público publicou um artigo em que nos dava conta de algumas pessoas que acabam prejudicadas profissionalmente porque decidem voltar a estudar. Entrar na universidade, em Portugal, pode ser sinónimo de desemprego. Quando se solicita o estatuto de trabalhador – estudante, os empregadores não são parcos em acções ofensivas contra o trabalhador.Narro-vos agora a história que decorre actualmente com uma pessoa amiga. Entrou na Escola Superior de Educação de Viseu no curso de Animação Sócio-Cultural. Trabalha há alguns anos, talvez uma década, no Jardim Escola João de Deus com as funções de animadora cultural. Infelizmente, a sua vontade de saber mais, alargar os seus horizontes para poder executar um trabalho com mais qualidade, tem esbarrado em infindáveis obstáculos.
O senhor director da Associação de Jardins-escola João de Deus, o doutor António de Deus Ramos Ponces de Carvalho (O adulto (?) da imagem), pura e simplesmente negou o estatuto à sua profissional com um argumento de peso: «Não concedemos o estatuto.»
Não houve uma única justificação ou argumento que obstaculizasse a atribuição de um direito consagrado na lei.
Esta situação é ainda mais lamentável se atendermos ao facto de o referido senhor ser uma figura, mais ou menos mediática, aparece amiúde nas páginas das revistas cor-de-rosa, na televisão…O caricato é que este senhor surge nos ecrãs a falar de educação, debaixo de um manto de pedagogo, fazendo a apologia da educação ao longo da vida, mas ao virar da esquina, nega um direito a uma pessoa que tem a coragem e a vontade necessárias para voltar a estudar.
Efectivamente, o bigode que ostenta parece funcionar como uma espécie de véu que encobre a hipocrisia que destila sempre que o assunto é educação. Só um enorme caudal, uma enxurrada de frases hipócritas, que normalmente parece proferir, justifica um mustache XXL. A sua face talvez devesse estar ornamentada com uma pilosidade «mugabeana» ou «hitleriana», passe o exagero.
Continuamos a ter, no nosso país, cidadãos que julgam estar acima da lei da República. Aqui ficam plasmados os meus aplausos para a minha amiga que não se «rende» e está a usar todos os meios na luta pelos seus direitos.


«Na verdade, as estatísticas são retratos da realidade, não são a realidade. Podemos saber de cor milhares de estatísticas sobre o sistema de ensino, mas nunca entenderemos nada sem passar por uma sala de aula.» José Manuel Fernandes In Público, 05 de Maio 2008 





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