Quarta-feira, 26 de Março de 2008

Telemóvel, o objecto da discórdia?

É sobejamente conhecida a paixão assolapada que os portugueses sentem pelo telefone móvel. Ou não fossemos nós um povo comunicativo…e vaidoso…e consumista…Poucos resistem a um modelo novo! Há para todos os gostos e carteiras. O mercado de toques polifónicos prosperou e penso que ainda continua a vingar. Quanto aos toques, também há para todos os gostos. Discretos, normais, estridentes, «comunitários»… Lembro-me «saudosamente» de um serão «interessantíssimo» com alguns amigos, durante a qual, parte do tempo foi passado enquanto iam sendo partilhados sons, uns mais apelativos do que outros, diga-se em abono da verdade. Contudo, um deles ficou definitivamente registado no chip «Horrores e Companhia»: “Atende o telemóvel… Atende o telemóvel… Atende o telemóvel… Atende o telemóvel ó filha da (PiiiiiiiiiiiiiP), Atende o telemóvel ó ca…(PiiiiiiiiiiP). Exuberante Q.B.?
Quando comecei a visionar o vídeo do festim do 9.º C temi que a pupila fizesse uso do manancial linguístico tão difundido via telelé, por exemplo: «Dá-me o telemóvel ó filha da (PiiiiiiiiP)…ou ainda dá-me o telemóvel ca (PiiiiiiP)!». Os temíveis receios deram lugar a um suspiro de alívio. Ufa! A miúda agiu mal? Claro que sim! A professora agiu mal? Claro que sim!
Este caso é chocante? Claro que não! Como já foi dito, isto é apenas a ponta do icebergue. Eu acrescento, uma ínfima parte, uma nano parte do monstruoso icebergue. Casos como este repetem-se a cada dia nas nossas escolas. Que ninguém tenha dúvidas! Há menininhos de 6,7,8,9…anitos a agredirem professores, funcionário, avós, pais (Segundo Javier Urra, «Os Pequenos Ditadores»). Há pais que querem os filhos sempre online, independentemente da hora e local. Ai de quem bloqueie o canal comunicacional, cai o carmo e a trindade. O problema não reside no uso ou não do «diabólico» objecto. O busílis da questão centra-se na indisciplina que grassa em meio escolar. A cereja que veio decorar o já por si pouco apetitoso bolo: o genial Estatuto do Aluno.

15 comentários:

TIMOR disse...

Perfeitamente de acordo com o autor do texto. É evidente que as regras não as há, a posição e autoridade do professor esfrangalhada e beliscada na sua dignidade e a minha inteira solidariedade à professora em causa pelo sangue frio demonstrado, pois eu que já lecciono há bastante tempo não teria tido a pachorra da dita docente e teria pregado uns valentes tabefes naquela criatura mal educada. Como alguém disse aquela sala de aula é a sala de jantar de muitos meninos mal comportados e reis e senhores do quero , posso e mando. E quanto aos telemóveis nas salas de aula (uma autêntica praga!)alguém se admira? não se esqueçam que esses mesmos meninos são filhos de papás que também não cumprem o código da estrada, indo na maioria das vezes a conduzir e a palar ao telemóvel.
Quem sai aos seus...

Daniel Braga, professor

TIMOR disse...

falar ao telemóvel...pressas...

expressodalinha disse...

Os tais lusos são loucos, como está historicamente privado. Umas vezes querem a disciplina, outras não querem a ASAE?! No video, só há a criticar a imaturidade do realizador: planos confusos e um pouco empastelados. A montagem tb. não foi das melhores. O toque amador pode vir a assegurar-lhe um prémio no Festival de Cannes. A caracterização pareceu-me perfeita: a professora em tons claros e cachecol colorido; a aluna de escuro, como convém a qq megera.
Abraço e garanto-vos que no meu tempo de aluno havia muito pior, pelo menos no Liceu de Oeiras (não havia era telemóveis, nem liberdade de expressão).

Ferroada disse...

Lá para a 10.ª geração de telemóveis, está tudo resolvido, penso eu, na sala de aulas os hologramas tridimensionais manterão todos em comunicação. E o professor!? Não há problema também será um holograma, pura luz... Por enquanto comecem a pensar em pedir treino militar... nas brigadas especiais...
Um abraço
Carlos Rebola

Eduardo P.L. disse...

Seu blog continua com postagens fantásticas! Tenho lido sempre, comentado pouco!

Forte abraço,

Anónimo disse...

Pra mim a solução é simples:
- "cada macaco no seu galho".
A senhora professora já não tem (se calhar nunca teve) vida pra leccionar e deve ir prá reforma e a menina, suspensa e pra outra escola (sem telemóvel,claro).
No tempo em que andei na escola os bons e maus profs já eram de todos conhecidos. Sabia-se claramente quais as regras do jogo, até onde se podia ir... e para os novos profs, o primeiro dia de aulas (dia da apresentação) definia logo as regras: - Ui, cuidado que com este não se brinca! e outros a quem tudo era permitido, desde fumar, até impedir o normal funcionamento da aula.
E agora, já não é assim?
Os meus filhos dizem que há de tudo.
Afinal, os profs de hoje estão a colher tambem eles os frutos do mau ensino em que foram formados e agora passam o tempo a queixar-se e a pedir aquilo que contestavam enquanto alunos.
Assim vamos mal e sem futuro...

TIMOR disse...

Que pena nao virem estes arautos do maldizer (dos profs claro!)dar aulas , por um dia que seja, para uma escola daquelas bem problemáticas, que deveria ser um mimo vê-los a controlar aquelas criancinhas mal educadas ( muitos deles filhos dessas mesmas criaturas que destilam ódio contra os profs). A dita sala devia ser muito semelhante^à sua sala de jantar concerteza. Por opiniao de certa gente admiram-se do comportamento das criancinhas de agora? Eu nao...e que pena nao poder avaliá-los também....

Anónimo disse...

Mas oh Timor, a vida é assim, pagam-te para aturares os filhos dos outros e não para passares o tempo a chorares com as escolas problemáticas.

Carreira disse...

Desculpe, mas os professores não são pagos para «aturar», são pagos para ensinar.
Cordialmente,

José Carreira

Eduardo P.L. disse...

Carreira,

seu blog esta em destaque no Varal, e recebendo elogios!

Bom fim de semana!

Abçs

PS- Concordo que professores são pagos para ENSINAR!

Anónimo disse...

Aturar: Tolerar, comportar, persistir, suportar com paciência, ter condescendência, etc.
Agora, tentem ENSINAR sem aturar.
A não ser que queiram os alunos já ensinados...
Cumprimentos

TIMOR disse...

Mais um anónimo (que valentão!)que muito fala e nada diz...Na verdade sou pago (e mal pago, vidé a vidinha de muito boa gente que por aí pulula, sem nada fazer) para ENSINAR, TRANSMITIR CONHECIMENTOS E SABERES mas agora também (e aí o meu caro amigo valentão tem razão...)EDUCAR, SUBSTITUIR OS PAPÁS QUE NÃO EDUCAM,FORMAR E TRANSMITIR VALORES (POIS MUITOS PAPÁS NEM ISSO FAZEM).Muitas tarefas pois para uma classe mal amada mas para quem alguns pais (graças a Deus não todos) ainda prercisam para "aturar " os filhinhos mal-educados e mal-formados.A sala de aula daquela colega é, na verdade, a sala de jantar de muitos meninos.

Daniel Braga, professor

Anónimo disse...

O que fala pouco e não é valentão coisa nenhuma: Admira-me que com o seu curriculo ande tão abespinhado em defender tão maus colegas que tem e que sabe que tem. Não seria também educativo começar por aí? É que eles estão no sistema há muitos anos e nada aconteceu. Fiquem os bons que o país agradece. Agora os maus...

TIMOR disse...

Não se admire pois acima de tudo defendo a classe com o pressuposto de que a grande maioria dos docentes são excelentes profissionais e de uma competência extrema.Maus profissionais há em todas as profissões,inclusivamente na sua,e isso não é motivo para o considerar a si e aos seus colegas incompetentes. Pode ter a certeza que esta profissão obriga a um grande amor à camisola e acima de tudo a uma entrega absoluta e, na maioria das vezes,com prejuízo de filhos e família, pois os fins de semana , que deveriam ser dedicados aos nossos são muitas vezes substituídos pelo trabalho escolar (invisivel aos olhos do público).
Daí considerar extremamente infelizes muitas das afirmações que se fazem de gente que não está nem exerce a docência, que nada percebe de ensino e que em vez de dar palpites de algo que não conhece se poderia dedicar a algo que tem por obrigação conhecer e onde as falhas são evidentes:a educação dos filhos. Não recebo lições de ninguém no exercício da minha actividade profissionale não entendo as cr´ticas suezes e injustas que se fazem a uma classe que pugna pela exigênciae pela competência, na sua globalidade.

Daniel Braga

Anónimo disse...

Sabe que isso não é totalmente verdade. Quantas vezes na sua carreira se deparou com péssimos professores? Provavelmente, com a devidas proporções, tantas quanto as que encontrou de maus alunos sem educação.
Mas a estes maus e péssimos alunos a maior parte dos professores quer é vê-los fora do sistema de ensino e até podem ter alguma razão, tal a trabalheira que devem dar.
Mas se assim fosse, deixar na escola só os que têm vontade de aprender e são educados, teriamos menos 10, 20, 30% de alunos no sistema e isso não era justo, nem para eles nem para muitos professores que perderiam o emprego.
A escola deve ser para todos até aos 16 anos, por muito que isso custe (a todos que pagamos impostos e em especial aos professores que pagam os impostos e têm o trabalho).
Falta ainda saber que medidas tomar para retirar os maus professores das escolas. Os bons professores devem ser os primeiros a querer que se separe o trigo do joio, ou não?
Só assim terão mais apoio da comunidade contra medidas injustas.
Cumprimentos