Quarta-feira, 14 de Maio de 2008

Trabalhador não estuda

Na semana passada, o jornal Público publicou um artigo em que nos dava conta de algumas pessoas que acabam prejudicadas profissionalmente porque decidem voltar a estudar. Entrar na universidade, em Portugal, pode ser sinónimo de desemprego. Quando se solicita o estatuto de trabalhador – estudante, os empregadores não são parcos em acções ofensivas contra o trabalhador.
Narro-vos agora a história que decorre actualmente com uma pessoa amiga. Entrou na Escola Superior de Educação de Viseu no curso de Animação Sócio-Cultural. Trabalha há alguns anos, talvez uma década, no Jardim Escola João de Deus com as funções de animadora cultural. Infelizmente, a sua vontade de saber mais, alargar os seus horizontes para poder executar um trabalho com mais qualidade, tem esbarrado em infindáveis obstáculos.
O senhor director da Associação de Jardins-escola João de Deus, o doutor António de Deus Ramos Ponces de Carvalho (O adulto (?) da imagem), pura e simplesmente negou o estatuto à sua profissional com um argumento de peso: «Não concedemos o estatuto.»
Não houve uma única justificação ou argumento que obstaculizasse a atribuição de um direito consagrado na lei.
Esta situação é ainda mais lamentável se atendermos ao facto de o referido senhor ser uma figura, mais ou menos mediática, aparece amiúde nas páginas das revistas cor-de-rosa, na televisão…O caricato é que este senhor surge nos ecrãs a falar de educação, debaixo de um manto de pedagogo, fazendo a apologia da educação ao longo da vida, mas ao virar da esquina, nega um direito a uma pessoa que tem a coragem e a vontade necessárias para voltar a estudar.
Efectivamente, o bigode que ostenta parece funcionar como uma espécie de véu que encobre a hipocrisia que destila sempre que o assunto é educação. Só um enorme caudal, uma enxurrada de frases hipócritas, que normalmente parece proferir, justifica um mustache XXL. A sua face talvez devesse estar ornamentada com uma pilosidade «mugabeana» ou «hitleriana», passe o exagero.
Continuamos a ter, no nosso país, cidadãos que julgam estar acima da lei da República. Aqui ficam plasmados os meus aplausos para a minha amiga que não se «rende» e está a usar todos os meios na luta pelos seus direitos.

14 comentários:

susitour.com disse...

Carreira:

De facto é lamentável que esteja a acontecer uma situação dessas...criada por uma instituição de renome - João de Deus... Infelizmente, para quem busca conhecimentos especializados, enquanto trabalha, acaba por encontrar inúmeros obstáculos, quer por parte dos empregadores, quer por parte das instituições que ministram os cursos. Digo isso porque sei que no tempo em que estudei tinha colegas ,com o estatuto de trabalhadores estudantes,que não eram muito bem vistos pelos nossos professores. Um professor chegou mesmo a dizer não reconhecia esse estatuto, porque para ele todos tinham a obrigação de assistir a todas as aulas (diurnas), se quisessem ter o mesmo tipo de avaliação...

SILÊNCIO CULPADO disse...

Carreira
Essas situações são, infelizmente, muito frequentes. Se até não se seleccionam mulheres para certos cargos e empregos para não haver o risco das baixas por maternidade...

Abraço

Crítico disse...

É o pais que temos, mas infelizmente toca-nos mais quando somos nós, ou amigos, os prejudicados, por aqueles que se julgam acima da lei (e que acabam, muitas vezes, por estar, efectivamente, acima dela).
Espero que a justiça seja feita.

Abraço.

Anónimo disse...

Isto é a vergonha de sempre. Um país que legisla só para alguns, normalmente para os mais fracos.
agradeço mais este alerta.

Juliana

expressodalinha disse...

Uma coisa é o que se legisla. Outra o que se faz. Pior é ainda quando a vontade de fazer mal está "protegida" por uma crise que parece tudo justificar. Será que a crise é "contra legem"?

Anónimo disse...

Como sempre, o mais forte não deixa o mais fraco erguer-se. É uma coisa inexplicável, a facilidade com que alguns violam as leis.

Joana Fraga

Anónimo disse...

Um país one a lei é uma coisa meramente indicativa.
Estatuto de Trabalhador Estudante???O que é isso???


Luis Reis

Mas afinal o que estou eu aqui a fazer?... disse...

Acreditem, o desprezo com que nós, os trabalhadores-estudantes somos tratados por alguns elementos da máquina educativa são pura e simlpesmente dolorosos!

Felizmente nunca tive problemas com a entidade patronal. Mas estudo Ciências da Educação numa instituição superior PÚBLICA, onde se pregam os benefícios de uma educação ao longo da vida que emprega docentes desprezíveis que agem claramente animados por uma posição Anti-T.E. que desilude muito boa gente que um dia se viu com coragem e força para enfrentar esta dura batalha de estudar e trabalhar a tempo inteiro!..

Mais: o processo de Bolonha pura e simplesmente não contempla nas suas premissas os Trabalhadores - Estudantes, sendo cada vez mais difícil aguentar os martírios e o cansaço de uma graduação nestas condições.

Infelizmente é ver para crer!....

JOY disse...

Boas amigo Carreira

È de facto lamentável que a nossa comunicação social dê tempo de antena a estes hipócritas que a única coisa que procuram é entrada garantida nas festinhas do croquete.A este marialva interessa ter empregados o menos informados e formados possivel para poder explorar á vontade .Estamos na presença de mais um déspota que acha que esta acima da lei ,por isso acho que a tua amiga deve lutar pelos seus direitos.

Um abraço
Joy

sa morais disse...

Este país é só para rir e, infelizmente, nós somos a piada...

Aqui vai o link do blog que te falei: http://feiradeantiguidades.blogspot.com/


Grande abraço!

the_hammer disse...

Como? Um empregado a estudar? Deus me livre! Depois aprende coisas, fica ciente de que tem direitos, e na volta ainda reclama. Sebo para a educação, viva a prepotência do patrão!

Compadre Alentejano disse...

Em Portugal, um Mugabe qualquer não se pode sobrepor à lei. A funcionária que escreva, com caracter de urgência, ao Provedor da Justiça a expôr o seu caso.
Parece incrível que estas coisas aconteçam em pleno séc. XXI!...
Um abraço
Compadre Alentejano

Anónimo disse...

Infelizmente é de facto uma situação que ocorre com alguma frequência...
Deixo o meu testemunho...
No meu caso, para poder efectuar o biénio (5º/6º anos, vertente pedagógica de LLM da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa) necessitava do estatuto. Incrivelmente, o mesmo foi-me concedido pela entidade patronal (Emp. Trab. Temporário) e rejeitado pela Faculdade. Ao tentar informar-me sobre os meus direitos, verifiquei estupefacta que existia, de facto, uma legislação específica para o biénio. Legislação que me impedia (e impediu de facto) de usufruir do meu estatuto de trabalhador/estudante.
É triste... mas é o país que temos.

TITUS PULO disse...

BIGODES DA LUSITÂNIA, OLHAI ESTE MUSTACHE DESAVINDO QUE ALIMENTA ODIOS PELOS SEUS SEMENHANTES E CODUZI-O à TOSQUIA INFERNAL……….BALHA-ME DEUZZZZEEEE.
Havia necessidadezzzzzzeee mmmmm……hum? Uma instituição tão escurreitazz, gente séria de bigodes bem aparadoszzzze. Ora penso que é excessivozzz. Nem só de pão bibe o homemzz. Mas também de chequeszzz e prezzzençasze na comunicação social. Valha-me Deuszze……